22.5.13

Monograma Larissa e Fábio

No sábado do último fim de semana pude presenciar, pela primeira vez, o casamento de uma grande amiga de infância. Foi uma etapa esperada de um relacionamento que eu vi nascer - com meu Game Boy Advance na mão - há cerca de 10 anos. Cara, é muita coisa.

E, sinceramente, não sou o maior fã de cerimônias mais clássicas e meio anacrônicas, como casamentos e colações de grau, por exemplo. Mas como não sentir cada momento quando é uma amiga que fez parte da sua vida que está ali, tomando um passo importante na vida dela? Não poderia estar mais feliz em ter comparecido à festa e ter dado meu abraço pessoalmente nos noivos.

Tendo passado o evento impecável, fico extremamente feliz também em ter podido ajudar aos dois amigos com o que eu mais sei fazer: ainda em 2012, uma noiva que apenas vislumbrava o seu casamento vários meses depois, viria me pedir uma opinião sobre o monograma que eles pretendiam usar no material da cerimônia. Dessa vez, minimizei ao máximo o trabalho criativo. Queria deixar a ideia dos noivos o mais intacta possível, afinal aquele monograma selaria o maior momento somente deles, enquanto casal. Mantive um olhar técnico para sugerir melhorias e corrigir alguns problemas visuais que identifiquei no desenho original.

Ao final do processo, ambos gostaram do resultado final e optaram por usar o meu desenho do monograma para o casamento. Não poderia ficar mais feliz com o meu presente. Espero que eles tenham gostado tanto como eu gostei, foi algo que fiz com todo o coração.

Parabéns, Larissa e Fábio! Que voces sejam ainda mais felizes de agora em diante.


20.5.13

A grade

 
The grid is an integral part of book design. It’s not something that you see. It’s just like underwear: you wear it, but it’s not to be exposed. The grid is the underwear of the book.
Massimo Vignelli

17.4.13

Não sei dançar

Manoel Bandeira. Petrópolis, 1925.

"Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...
Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz band.
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.
Mistura muito excelente de chás...
Esta foi açafata...
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
Tão Brasil!
De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugelê banzai!
A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Para a crioula imoral,
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...
Tão Brasil!
Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?... Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!"

2.4.13

Rand, Paul.

O livro "Conversas com Paul Rand", organizado por Michael Kroeger e maravilhosamente editado no Brasil pela Cosac Naify, foi uma das surpresas mais agradáveis que tive nos últimos tempos. Queria lê-lo desde que conheci o trabalho de Paul Rand, numa das minhas antigas excursões exploratórias na biblioteca da universidade, mas nunca o encontrei para venda. Resolvi riscá-lo da minha lista de uma vez, junto com outros títulos, numa compra quase desesperada na loja virtual da Livraria Cultura.

E que surpresa ótima: o livro, bem pequeno na espessura e tamanho, tem um conteúdo interessantíssimo e um projeto gráfico primoroso. Ele traz duas conversas com o seminal designer gráfico estadunidense Paul Rand transcritas, além de depoimentos de importantes designers, como Armin Hofmann e Wolfgang Weingart, sobre Rand.

É bastante interessante poder entrar em contato com as ideias dele através de diálogos e discussões, que ajudam a construir o pensamento de maneira bastante natural. Já comentei aqui antes sobre o quanto é comum haver pouco leitura e discussão na área sobre a filosofia do design gráfico. Essa é uma obra bastante simples, que homenageia o trabalho de Rand através de suas ideias, trasmitidas por suas próprias palavras.




1.4.13

Loja virtual Sub Antiwear

IT'S ALIVE!!!

Depois de muito tempo de planejamento e construção, a loja virtual da Sub Antiwear está online e aceitando pedidos.


Estão disponíveis as camisetas da primeira tiragem, assim como as novas estampas com referências a canadense do synthpop Grimes e o iconico Suicidal Tendencies. Além disso, também temos os cartões postais especiais, em tiragem limitada, com frete grátis. Confere aí: http://sub-antiwear.com/


3.2.13

Conselho Nacional de Estudantes de Design - Edição de Verão 2013

Na última semana, eu pude comparecer pela primeira vez ao Conselho Nacional de Estudantes de Design - ou CoNE Design - em sua edição de verão, que aconteceu em Salvador/BA.

Aproveitei a proximidade entre Salvador e Aracaju, e o fato de conhecer alguns membros da CONDe (Comissão Organizadora do Nacional de Design) vigente, para visitar a Bahia. A experiência, ao final, foi mais recompensadora que que eu havia imaginado inicialmente. Durante o Conselho, pude entrar em contato com indivíduos realmente preocupados com o movimento estudantil de design e que reconhecem a importância desse tipo de trabalho. Não só para a formação política e intelectual do estudante, mas também para a consolidação da área em cada localidade. Também pude perceber a função do Conselho, que é estritamente voltada para o próprio movimento estudantil em design e para deliberações sobre a área no país. Apesar de sempre defender uma maior incursão do movimento estudantil de design em discussões sociais que são relevantes à ele, como o movimento de direitos LGBTT, por exemplo, acho que o fato do CoNE se ater apenas à situação da área e ao M.E. aumenta o seu foco e garante agilidade nos encaminhamentos.

A CONDe Salvador está de parabéns pela organização e pela simpatia com a qual tratou o evento. Sem dúvida alguma pretendo estar presente no próximo CoNE, agora na edição de inverno, durante a semana do N Design em Salvador.

14.1.13

Dezembro

Fazia um dia bonito com um sol distante brilhando forte sobre nossas cabeças, o que fazia com que todas as cores parecessem mais vivas. E isso tudo só combinava com nosso clima de férias de verão. Estávamos deixando tudo para trás, um monte de coisas ruins e só olhando pra frente. "Ééé!" eu gritei assim que saí do colégio, o dia estava lindo e cheio de possibilidades e eu me sentia o dono do mundo.

Todos resolveram passar na livraria que ficava perto. Qualquer coisa estava bom pra mim, então topei de cara. Fazia um calor do caralho e embaixo da minha camisa quente estava abafado. Teria tirado ela ali mesmo, se não estivéssemos quase chegando na livraria.

Julie estava junto no grupo e ela estava empolgadíssima, é. Falava sem parar, de outros lugares e outras pessoas, misturava tudo e chegava as suas famosas conclusões incríveis vindas aparentemente de lugar nenhum. Eu logo gostei do clima que fazia dentro do lugar e foi então que coloquei meus olhos nesse único livro preso numa estante. Imediatamente me apaixonei por ele e logo em seguida já estava empolgado olhando para a sua capa deliciosa e com a cabeça enchendo de ideias. Queria sair dali com ele embaixo do braço, mas estava sem dinheiro algum. Dei um beijo em sua capa e me despedi. Pra só então ser pego pelo papo cheio de vontade de Rafa. Cara, ele estava ávido pelos próximos dias, dava pra ver em sua cara. Queria muito que a próxima semana chegasse voando pra ele fazer tudo aquilo que ele tinha em mente. Muitos planos de noitadas longas e muitas fodas também. Ele já tinha me falado dessa garota loirinha que estava com ele e de como ele estava cuidando dela, e também de todas as outras por vir. E ele queria levar todos os rapazes junto na sua ideia louca pelas próximas semanas.

Só que eu não podia esperar. Não queria esperar mais nada. Estava tudo ali, naquele momento. Então levantei a camisa e dei o fora, caindo direto para a vida cheia de possibilidades.
E o dia estava lindo também.


[4.11.010]

11.1.13

Hb : Projeto de Identidade Visual

Venho comentar aqui, já com algum atraso devido a um final de ano quase conturbado, o projeto de identidade visual para a tecnologia social Hb. Ele foi desenvolvido, em sua maior parte, em 2011, mas acabou sendo concluído apenas no segundo semestre do ano passado, por adiamentos por parte do cliente. No entanto, se tornou um projeto do qual me orgulho bastante pois foi possível traduzir graficamente as diretrizes, que extraí do conceito da própria tecnologia. 

Explico: o Hb é uma tecnologia social desenvolvida e implementada pelo Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação - o IPTI - em Santa luzia do Itanhy, no sul do estado de Sergipe. Trata-se de uma metodologia reaplicável para o combate da anemia ferropriva. Esse é um problema causado pela má alimentação de crianças e adolescentes que acabam não ingerindo a quantidade suficiente de ferro necessária para um desenvolvimento saudável. E isso acontece não pela falta de condições de algumas comunidades: o alimento saudável e rico em ferro está presente, mas não há educação alimentar e a dieta acaba sendo comprometida pela ingestão excessiva de produtos industrializados com poucos nutrientes. Pode parecer aterrador, mas muitos municípios menos desenvolvidos sofrem bastante com esse tipo de situação, que acaba deixando marcas indeléveis na criança, repercutindo em uma posterior dificuldade no aprendizado e desenvolvimento físico e intelectual. 

Assim, o Hb propõe uma iniciativa conjunta entre a escola e os agentes de saúde para realizar medições dos índices de hemoglobina de cada criança e adolescente e estruturar uma reeducação alimentar à partir de vários recursos. Por esse motivo, foram adotadas três diretrizes que serviram de base para a estruturação do sistema de identidade visual proposto: a anemia ferropriva, o foco principal da tecnologia social; o interesse visual, por se tratar de um público diverso que vai desde crianças até os seus pais, passando por profissionais de saúde, buscou-se uma linguagem dinâmica e contemporânea; por fim, foi necessário que a identidade também fosse amigável, isso porque o tema é delicado e adentra ambientes familiares, por isso procurou-se adotar uma linha mais leve ao invés do tom mais rígido geralmente visto em questões relacionadas à saúde. 

Ao final do processo, o resultado foi um símbolo que representa duas hemácias. A primeira, menor e amarelada é a hemácia anêmica. A segunda, seria o seu segundo estágio: maior e já saudável. Essa é a transição que a tecnologia social Hb visa provocar, não apenas na saúde das crianças, mas na vida das comunidades envolvidas no projeto como um todo. O logotipo também foi inspirado nas formas arredondadas das hemácias, dialogando diretamente com o símbolo criado, além de provocar uma sensação mais amigável e orgânica. 

Outra possibilidade para o símbolo criado é que ele seja visto como um coração. Órgão principal do sistema circulatório, um dos sistemas afetados pela doença, que representa também amor e carinho. Sentimentos essenciais no desenvolvimento da metodologia Hb que envolve educação alimentar, relacionamento intrafamiliar e também entre agentes de saúde, escolas, famílias e crianças e adolescentes.

9.1.13

Stop Making Sense

"TIPS FOR PERFORMERS: Playing cards have the top half upside-down to help cheaters. There are a finite number of jokes on the universe. Singing is a trick to get people to listen to music for longer than they would ordinarily. There is no music in space. People will pay to watch people make sounds. Everything in stage should be larger than in real life.

LIFE ON EARTH: Men like pastries, women like custards. Scientists have invented a love drug, but it only works on bugs. Animals like earthquakes, tornadoes and volcanic activity. Nuclear weapons can wipe out life on earth, if used properly. Cats like houses better than people. Dolphins find people amusing, but they don't want to talk to them. People look ridiculous when they're in ecstasy. Schools are for training people how to listen to other people. Body odor is the window to the soul. Sound is worth money.

LIVING WITH OTHER PEOPLE: Violence on television only affects children whose parents act like television personalities. Table manners are for people who have nothing better to do. Civilization is a religion. Civilized people walk funny. There is always a party going on somewhere. People will remember you better if you always wear the same outfit.

THE SPACE PEOPLE: Space People read our mail. The Space People think that TV new programs are comedies, and that soap operas are news. The Space People will contact us when they can make money by doing so. The Space People think factories are musical instruments. They sing along with them. Each song lasts from 8 a.m. to 5 p.m. No music music on weekends.

MONEY: People will do odd things if you give them money. When everything is worth money, then money is worth nothing. If you keep your money in your shoe, then people will know which bills are yours. If you crumple you money into little balls, it will never stick together. The best way to touch money is by the edges. U.S. money is the worst looking money in the world.

WORLD TRAVEL: Passport pictures are what people really look like. Rich people will travel great distances to look at poor people. Toast is the national dish in Australia. People never travel to look at flat landscapes. People would rather watch things than eat. Looking at postcards is better than looking at the real thing. looking up is scary as looking down.

IN THE FUTURE: In the future, women will have breasts all over. In the future, it will be a relief to find a place wothout culture. In the future, plates of food will have names and titles. In the future, we will all drive standig up. In the future, love will be taught on television and by listening to pop songs.

WORK: Crime is a job. Sex is a job. Growing up is a job. School is a job. Going to parties is a job. Religion is a job. Being creative is a job.

GROWING UP: Drugs affect children the opposite way they affect adults. Adults think with their mouths open."
(Retirado do encarte do vinil "Stop Making Sense", do Talking Heads)



[25.05.010]